Os caminhos apontados pela mostra Panoramas do Sul para a produção artística do Sul global são o foco desta Itinerância, que começa pelas unidades do SESC em Campinas, Santos e São José do Rio Preto, e reflete experiências realizadas com sucesso no 17º Festival Internacional de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil. Levar essa síntese do Festival a públicos maiores é uma forma de amplificar o alcance não só desse potente conjunto de proposições artísticas, mas também de seu potencial para a formação.

Das dezesseis obras reunidas aqui, doze foram premiadas pelo júri do Festival, que avaliou um conjunto de 101 trabalhos, selecionados a partir de mais de mil submissões vindas de todas as regiões do Sul geopolítico do mundo. Outras quatro obras resultam do primeiro prêmio Ateliê Aberto Videobrasil, formato voltado a artistas jovens residentes em São Paulo, e que envolveu o comissionamento de trabalhos realizados em residência aberta no espaço paulistano de criação artística Casa Tomada.

Como na mostra Panoramas do Sul, realizada no SESC Belenzinho, São Paulo, em 2011, elas compartilham o mesmo espaço expositivo, além de questões próximas e relacionadas, ainda que abordadas por meio de uma diversidade de operações artísticas.

O desejo de mapear afetos e questões do campo da subjetividade é recorrente em obras como Exploring, de Moran Shavit, ou Jan Villa, de Natasha Mendonca; outras gravitam em torno de questões formais, questionando ora o lugar da arte (Vermelho, de Milton Machado e Cacá Vicalvi), ora seu estatuto (Tapetes, de Adriano Costa).

O cinema, que está no centro da pesquisa de Claudia Joskowicz (Round and Round and Consumed by Fire), ganha tributo de Akram Zaatari em Tomorrow Everything Will Be Alright. Como Gabriel Mascaro em As aventuras de Paulo Bruscky e Guilherme Peters em Inimigo invisível, Zaatari opera revertendo expectativas relacionadas às possibilidades dos mundos virtuais contemporâneos.

A potência poética de imagens captadas com câmeras rudimentares se revela em Em um lugar qualquer – Outeiro, de Dirceu Maués. Em BRAVO-RADIO-ATLAS-VIRUS-OPERA, Carla Zaccagnini olha para o desejo e a frustração envolvidos na tentativa de representar. Andando em direções diversas, Paulo Nimer PJota (Índice 1, contiguidade não imediata) e Carolina Caliento (Todas as vozes) equacionam temas da pintura e da cidade.

Pilgrimage, de Eder Santos, explora o trajeto do ferro da mina ao mar, e pode ser lido como uma metáfora do violento embate entre natureza e cultura. Em As pérolas, como te escrevi, de Regina Parra, a língua estrangeira, imposta a imigrantes, é a violência. São questões fundamentalmente políticas – como o apagamento do Massacre da Praça da Paz Celestial da memória dos chineses, tema de Unforgettable Memory, de Liu Wei.

Programas da série Videobrasil na TV e conteúdos adicionais reunidos aqui exploram o pensamento por trás de cada obra da Itinerância, acrescentando camadas de significado que, esperamos, contribuirão para qualificar a fruição do público.