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escultura > processo > criação > estatuto da arte > composição

contexto
Tapetes é composta por fragmentos de tecido, dispostos no chão sem rigor aparente. O nome é uma alusão à forma como o público procede em relação à obra, olhando-a de cima, circulando ao seu redor e, por vezes, pisando nas peças. Em sua primeira exibição pública, sem nenhuma proteção ao redor das peças, o trabalho foi destruído pelo deslocamento sobre
os panos.

O nome, a forma de exibição e a atitude do público ratificam a proposição do artista, que se dispõe a investigar e questionar o que separa o corriqueiro da arte.

referências
A disposição espacial de Tapetes e o uso de formas geométricas básicas lembram a lógica da estética e os procedimentos de artistas neoconcretos brasileiros atuantes na década de 1960, como Lygia Clark (1920-1988), Hélio Oiticica (1937-1980) e Lygia Pape (1927-2004). O trabalho remete também à geometria dos mosaicos bizantinos e ao movimento presente nas tapeçarias renascentistas.
pesquisa
O momento e as circunstâncias nas quais objetos cotidianos se tornam obras de arte são o foco do interesse
de Adriano Costa neste trabalho.

A investigação começa no processo de criação, mas se estende à exibição dos trabalhos; no espaço expositivo, eles encontram a expectativa do público e um contexto que contribui para as fronteiras difusas entre arte e não arte.

Ao expor objetos corriqueiros – que chamou de readymades – em galerias e museus, o artista francês Marcel Duchamp (1887-1968) levantou a discussão sobre o estatuto da arte. Esse mesmo questionamento marca a arte conceitual norte-americana dos anos 1960, produzida por artistas como Robert Rauschenberg (1925-2008), Joseph Kosuth (1945-) e Allan Kaprow (1927-2006).

processo
Em Tapetes, Adriano Costa organiza e dispõe sobre o chão panos, pedaços de tecido, retalhos de tapetes e capachos, toalhas partidas e outros materiais. Todos integram uma grande coleção iniciada pelo artista em 2008, e composta por peças tomadas de bares e casas de amigos e familiares.

O artista considera os panos espalhados no piso um arranjo “pré-escultural”, que testemunha um momento do processo de construção da escultura no qual a forma ainda não foi completamente definida.

+++ Os filósofos franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari estão entre os pensadores contemporâneos que examinaram detidamente o estatuto da arte. Neste artigo para a revista Ítaca, o acadêmico brasileiro Fernando Tôrres Pacheco sintetiza as ideias da dupla sobre o tema: O estatuto da arte em Deleuze e Guattari (baixar pdf).