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contexto
Tomorrow Everything Will Be Alright foi um dos curtas-metragens comissionados pelo Independent Cinema Office de Londres para serem exibidos antes dos filmes em cartaz nas salas de cinema Lux, em todo o Reino Unido. “Antes deste, nenhum de meus filmes havia sido exibido em cinemas comerciais. Foi uma oportunidade de fazer um trabalho para cinema, sobre cinema”, diz Akram Zaatari.
referências
Zaatari cita como referência para este trabalho o filme O raio verde (1986), do francês Éric Rohmer (1920-2010). Um dos expoentes da Nouvelle Vague, Rohmer se diferenciou por um cinema literário, que prioriza o mundo interior dos personagens sobre o roteiro. O raio verde é uma história de busca do amor inspirada no livro homônimo de Júlio Verne (1828-1905). Na trama, uma lenda afirma que a descoberta do amor verdadeiro tem como sinal o surgimento de um raio verde sobre o mar, antes do pôr do sol.
pesquisa
Artista e curador, Akram Zaatari é um dos nomes mais conhecidos da cena contemporânea libanesa. Sua obra discute questões de gênero, sexualidade, memória e temas de interesse do Líbano pós-guerra. De forte teor político, seus trabalhos tocam a questão dos direitos dos homossexuais em seu país, cuja legislação inclui um artigo que condena as “práticas sexuais anormais”.

Cofundador da Fundação Árabe da Imagem, que coleta, preserva e estuda a produção fotográfica do Oriente Médio, África do Norte e diáspora árabe, Zaatari tem profundo interesse na fotografia como prática, linguagem e meio de aproximação do registro de formas de relacionamento na história de seu país.

processo
Akram Zaatari cria uma conversa entre dois ex-amantes após dez anos de separação. Embora siga a lógica dos chats on-line, o diálogo se desdobra em uma máquina de escrever; a imagem que se cria remete aos roteiros de cinema.

A temática amorosa, presente no imaginário coletivo ocidental, na vida e nas telas de cinema, ganha força na medida em que o público se identifica com os protagonistas. O filme foi gravado duas vezes. Na primeira versão, os dois homens se encontravam ao pôr do sol, um deles com a mão sangrando. Zaatari optou por retirar a cena do filme, por considerar interessante a possibilidade de cada espectador se projetar no lugar dos personagens principais, cujo encontro não é explícito, mas sim insinuado.

+++ Akram Zaatari é tema de um dos filmes da série Videobrasil Coleção de Autores, dirigido por Alex Gabassi em 2004. Clique aqui e leia mais sobre o filme.