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cidade > percepção > imagem > pintura histórica > colagem > mídia > fotojornalismo > espaço urbano > história da arte > deslocamento

contexto
A ideia de que a experiência contemporânea do mundo é mediada pela publicidade é um dos disparadores da produção da artista. Suas paisagens de caos e violência, que reúnem registros fotográficos e citações de pinturas históricas, soam como metáforas do cotidiano urbano.
processo
A artista mantém um arquivo de referências visuais e registros da realidade encontrados em meios de comunicação de massa. São fragmentos que apontam para temas políticos, sociais e culturais. A partir deles, trabalha com colagem, um procedimento bastante explorado por artistas do século 20 para reunir materiais e imagens de diferentes origens e características num mesmo suporte.

O procedimento de trazer imagens de jornais e revistas para a tela de pintura/colagem é um deslocamento: por meio dele, o banal e o corriqueiro de uma imagem jornalística são inseridos no campo estetizado da pintura. A tela torna-se o território onde é possível reunir acontecimentos distantes no tempo e no espaço.

Para guiar a composição, a artista elege a pintura monumental, histórica, caracterizada pelas grandes proporções e a recriação de fatos verídicos. Em seus trabalhos, encaixa imagens seguindo uma lógica de ocupação do espaço “emprestada”. No caso de Todas as vozes, uma pintura de Philip James de Loutherbourg descarregada da internet e impressa é a base da colagem, depois digitalizada e reimpressa para guiar a pintura.

pesquisa
O trabalho de Carolina Caliento investiga a visualidade da metrópole e os processos de construção de imagem que articulam pintura e colagem. A relação do homem contemporâneo com a informação é outro eixo de interesse da artista. Veiculados de forma sequencial na TV, na internet e em jornais, e apreendidos de forma fragmentada, cenas de novela, guerras e anúncios se diluem e se misturam, afirma, tornando-se parte de um mesmo todo.
referências
Em Todas as vozes, a artista usa como referência de composição a obra Coalbrookdale by Night (1801), do pintor inglês Philip James de Loutherbourg (1740-1812). Conhecido por suas pinturas de grandes dimensões, que representam, sob luz dramática, batalhas navais e fenômenos naturais, Loutherbourg também era cenógrafo.
+++ Para conhecer a pintura de Philip James de Loutherbourg, assista aqui ao slideshow criado pela BBC.