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imagem > fotografia pinhole > stop motion > fotografia digital > cotidiano > paisagem

contexto
A fotografia pinhole é a base do trabalho artístico que o fotógrafo e fotojornalista paraense Dirceu Maués desenvolve a partir de 2003. Em 2004, contemplado com uma bolsa de pesquisa e criação artística do Instituto de Artes do Pará (IAP), o artista realiza a série Ver-o-Peso pelo furo da agulha – Um ensaio fotográfico sobre o Complexo Ver-o-Peso utilizando uma câmera pinhole. Com imagens que decorrem da pesquisa, participa da 14ª edição da Coleção Pirelli/Masp (2005). Em seu primeiro vídeo, …feito poeira ao vento… (2006), anima imagens de pinhole, assim como em Outeiro. Aqui, o cenário é a ilha de Outeiro, em Belém do Pará, que tem praias de águas turvas e elevações de onde se avista a paisagem.
referências
Também conhecida como câmara obscura, a câmera pinhole (literalmente, buraco da agulha) é um mecanismo óptico de captação de imagens. Consiste em uma caixa fechada, sem lentes e com um único orifício em uma das paredes. Graças ao princípio de propagação retilínea, a luz penetra por esse orifício e projeta, na parede interna oposta da caixa, uma imagem invertida do que está fora.

Os princípios ópticos da pinhole – que podem ser reproduzidos, por exemplo, em um quarto fechado – já eram conhecidos na Antiguidade.

Em meados dos anos 1960, artistas como o italiano Paolo Gioli (1942‑) e o norte‑americano Eric Renner (1941‑) começaram a experimentar com pinhole. No Brasil, Rosângela Rennó (1962‑) produziu trabalhos conhecidos com câmaras escuras.

processo
Para captar as imagens que compõem o trabalho, Maués usou 150 câmeras pinhole feitas com caixas de fósforo. Dispondo-as de seis em seis em um suporte, o artista fez com que captassem ângulos contíguos da paisagem. Ao exibir as imagens juntas, em seis telas, consegue recriar a paisagem do Outeiro segundo uma visão muito pessoal.
pesquisa
Ao explorar aparatos não convencionais de captação, os trabalhos de Dirceu Maués estimulam a reflexão sobre as tecnologias da imagem. O tempo longo e impreciso dos registros traz o acaso para dentro do processo de trabalho. Sem visor ou lente, a pinhole não favorece a precisão ou a nitidez, mas a poesia do erro, do ruído e do acaso. Em Outeiro, o artista pesquisa o movimento construído em stop motion, uma sucessão de imagens estáticas criando sensação visual de movimento. 
+++ Assista ao making of de Outeiro no youtube. Para saber mais sobre fotografia pinhole, clique aqui.