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realidade virtual > machinima > rede social > arte contemporânea > poética > multimídia

contexto
Desde os anos 1970, o artista pernambucano Paulo Bruscky (1949‑) produz uma obra marcada por forte experimentalismo. Pioneiro no uso de tecnologias de reprodução de imagem, criou obras com gravações eletrônicas, projeção de slides, fac‑símile, super‑8, vídeo, xerox, offset e mimeógrafo. Na década de 1980, fez arte postal e inventou os “xerofilmes”, filmes realizados a partir de imagens xerográficas, abrindo um novo campo para o desenho animado e o cinema experimental.

Aqui, Bruscky protagoniza um pseudodocumentário realizado na plataforma virtual de relacionamento Second Life. Criado em 1999, o ambiente oferece a seus 70 mil usuários no mundo todo uma intensa vida social virtual. Permite criar avatares com as características físicas dos donos (ou não), fazer amigos ou amantes virtuais, e frequentar lojas, boates e shows, entre outras possibilidades.

pesquisa
Vista como encontro virtual entre os dois artistas, a obra aborda questões importantes sobre os processos de produção da arte atual, chamando atenção para os limites entre as linguagens artísticas, as manifestações culturais na contemporaneidade e especialmente a distância entre o desejo do artista em processo de criação e a realização da obra.

Ao assistir ao filme, podemos refletir, também, sobre a singularidade do espaço virtual, acompanhando simulações de experiências que evocam os sentidos e as diversas formas de interação entre pessoas e as paisagens em que estão inseridas.

A obra de Mascaro é um machinima, animação realizada a partir de uma técnica que utiliza recursos nascidos dos jogos para criar filmes. Assim, utiliza simultaneamente as linguagens do documentário, da rede social e do jogo para simular situações e aspectos da vida social.

processo
Bruscky e Gabriel Mascaro já haviam realizado juntos O meu cérebro desenha assim – 2. Para ir além do registro documental, Mascaro procurou criar aqui uma experiência que reunisse a visualidade do suporte virtual Second Life e questões presentes no universo artístico de Paulo Bruscky, incluindo o tema da circulação em rede das obras, presente em sua trajetória com a “arte postal” e os trabalhos ligados às poéticas dos artistas do grupo Fluxus (anos 1960/1970), que ficaram conhecidos por explorar as diferentes linguagens artísticas em suas ações.
+++ Excertos de outros projetos de Gabriel Mascaro podem ser vistos no site do artista. O site da galeria paulistana Nara Roesler, que representa Paulo Bruscky, tem uma seleção de obras e de textos críticos sobre o artista. Para visitar o Second Life, clique aqui.