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contexto
A morte do líder Hu Yaobang, em 1989, precipitou a explosão de grandes manifestações civis na República Popular da China. Centenas de milhares de cidadãos foram às ruas de Pequim para protestar contra a corrupção política e os altos índices de inflação.

Pacíficos, os protestos foram respondidos com violência pelo governo chinês. Em maio, a lei marcial foi imposta aos cidadãos, privando-os dos direitos de circular e de protestar. As manifestações continuaram. No dia 4 de junho, o Exército Popular de Libertação disparou indiscriminadamente contra os manifestantes que estavam na Praça da Paz Celestial, matando estimadas 4 mil pessoas e ferindo outras 10 mil.

Mesmo sendo parte das vidas de milhares de famílias, o Massacre da Praça da Paz Celestial tornou-se assunto proibido na China.

Aqui, Liu Wei lida com o apagamento dessa lembrança inesquecível, fala da hipocrisia com que são construídas as narrativas coletivas no país e trata da memória como arma para garantir liberdade ao homem.

processo
Após ter testemunhado momentos de opressão e injustiça, Liu Wei tornou-se um dos expoentes do realismo cínico, movimento artístico de denúncia e resistência contra o governo ditatorial chinês.

Esse vídeo é um exemplo. Por meio da imagem em movimento e da sequência narrativa, o artista tenta reconstruir os momentos que viveu e partilhar o que ainda hoje lhe causa dor e revolta. Imagens fotográficas e seu relato pessoal são o material que usa, assim como entrevistas – que, em vez de elucidar a lembrança, só sublinham o silêncio do que não pode ser lembrado.

O cenário é a Praça da Paz Celestial, um dos maiores locais de reunião pública no mundo, que tem por tradição abrigar comícios e passeatas de diferentes grupos. Para recompor o espírito de revolução pacífica e o horror do massacre, Wei usa imagens fotográficas dos protestos, em contraste com o silencioso clima da praça na atualidade.

pesquisa
As mudanças históricas acontecidas na China no último século são o foco da pesquisa do artista, que transita entre linguagens tradicionais da arte (como pintura e desenho) e recursos contemporâneos (vídeo, fotografia). Interessado em formas de comunicação, já explorou o Braille, a língua de sinais e o teatro de marionetes.
+++ Uma das imagens mais premiadas do século 20 aparece em Unforgettable Memory: a fotografia O rebelde desconhecido, do fotojornalista Jeff Widener (EUA, 1956-). Na Praça da Paz Celestial já dominada pelas tropas chinesas, um homem enfrenta sozinho uma fileira de tanques de guerra. Veja a foto aqui.