moran shavit >> palavras-chave >>

memória > deslocamento > imagem > comunicação > texto > afeto > geografia pessoal

contexto e referências
Os cartões‑postais enviados pelo pai da artista Moran Shavit de diferentes cidades do mundo, quando ela ainda era uma criança, são o ponto de partida do vídeo. O texto das mensagens, que traziam notícias do pai enquanto ele trabalhava em um navio cargueiro, são relidos pelo próprio pai ou comentados pela artista, compondo uma história de deslocamentos geográficos e de afeto compartilhado.

Por meio dessa obra, Moran compartilha com o público as imagens e os textos enviados pelo pai, na tentativa de, de longe, compartilhar com a filha as experiências que vivia e seus sentimentos de amor e saudades. A artista também explora na obra o significado desses conteúdos em sua vida, e sua forma particular de se relacionar com eles.

processo
Por meio das memórias de pai e filha em relação aos postais, a artista reconstrói situações diferentes. Para o autor dos textos, há a evocação não apenas do momento da escrita, mas também das situações vividas nas cidades por onde passou; para a filha, a memória remete à experiência de receber e ler os cartões, a partir dos quais construiu imagens do mundo e das vivências do pai.

Os comentários da artista incorporados à obra ressaltam seu interesse no fato de que sua lembrança dos acontecimentos é construída a partir das narrativas do pai, e não de situações vividas em comum.

O fato comum entre ambos era a ausência física; essa partilha acontecia a partir da leitura afetiva de uma imagem e do texto correspondente.

pesquisa
A fotografia e o vídeo são linguagens centrais na produção de Moran Shavit. A partir delas, a artista trabalha questões ligadas à comunicação – as trocas entre emissor e receptor –, ao afeto e aos efeitos da passagem do tempo.
A possibilidade de ativar tempos e espaços diferentes num mesmo trabalho interessa à artista, que busca e evidencia pontos de vista diversos sobre experiências compartilhadas.

Quando o pai lê para a filha os cartões escritos por ele vinte anos antes, torna‑se o receptor de suas próprias palavras, o decodificador de um texto cuja autoria aconteceu em outro tempo e lugar.

+++ A pesquisa de Moran Shavit guarda ressonâncias com os estudos do linguista Mikhail Bakhtin (1895‑1975) sobre o discurso, que podem ser explorados em diferentes dimensões na revista Bakhtiana, disponível aqui.