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pessoal > universal > pós-colonial > questões de gênero > urbanismo > memórias > planejamento > colagem > crítica > núcleos familiares > homossexualidade

contexto
As monções são ventos que impõem um regime de chuvas torrenciais ao sudeste asiático anualmente, entre junho e agosto. Em 2005, uma temporada especialmente severa matou mais de 5 mil pessoas em Mumbai (Índia), que ficou submersa. O episódio ficaria conhecido como as enchentes de Maharashtra.

Premiado em diversos festivais internacionais, Jan Villa foi realizado como parte da tese de mestrado em cinema e vídeo que Natasha Mendonca defendeu no Instituto de Artes da Califórnia. O título se refere à casa em que a artista cresceu, em Borivali, na ilha de Mumbai, e que desapareceu nas inundações de 2005.

referências
Um ensaio feito de imagens acumuladas e associadas, Jan Villa inspira‑se no conceito de montagem dialética do cineasta russo Sergei Einsenstein (1898‑1948), que revolucionou o cinema no início do século 20 ao desafiar a linearidade da narrativa convencional com planos orquestrados pelo princípio do conflito.
processo
Para realizar Jan Villa, Natasha Mendonca retornou a sua cidade natal em 2009, no período das chuvas. Seu interesse era investigar como esse tipo de catástrofe afeta a vida de cada pessoa e da coletividade, e o ponto onde essas duas esferas se tocam.

Para Natasha, a enchente é a metáfora da destruição, da decadência e da negligência. A obra tem como centro a casa da família e a estrutura familiar, mas trata de uma experiência real que atingiu milhares de pessoas. Nesse contexto, as consequências são, simultaneamente, pessoais e universais. Colagem de imagens que mesclam memórias e narrativas pessoais, a obra examina o espaço de uma metrópole pós-colonial na Índia e critica o núcleo familiar heterossexual.

pesquisa
Graduada em sociologia, Natasha Mendonca acredita no potencial político da arte. Em seu trabalho, busca formas de enfatizar suas ideias e meios para transformar as realidades ao seu redor.

Comprometida com o experimentalismo e a não linearidade, sua obra requer do espectador acostumado com o cinema comercial um esforço extra de apreensão da imagem e da narrativa. As questões de gênero também têm ênfase na obra da artista, que vem se destacando como importante pesquisadora do tema, tendo participado de júris e comissões em Berlim e Zagreb.

+++ Natasha Mendonca é fundadora do Larzish, um dos primeiros festivais indianos de cinema e vídeo voltados às questões de sexualidade e gênero. As chamadas públicas podem ser acompanhadas pelo site. Para saber mais sobre a artista, visite o site oficial.