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tradução > comunicação > criação > imigrantes > língua > violência

contexto
O fio condutor do trabalho é a carta Mundus Novus, atribuída a Américo Vespúcio (1454-1512). No texto, o navegador italiano descreve suas visões do Brasil para os europeus. No trabalho, três projeções simultâneas mostram imigrantes – que entraram clandestinamente no Brasil e vivem há anos em São Paulo – lendo a carta, com os ritmos próprios de seus sotaques e acentos.
referências
Em seu trabalho, Regina aproxima as reflexões do filósofo francês Jacques Derrida (1930-2004) sobre hospitalidade da realidade do imigrante. “O estrangeiro é, antes de tudo, estranho à língua do direito na qual está formulado o dever da hospitalidade. Deve pedir hospitalidade numa língua que, por definição, não é a sua, mas imposta pelo dono da casa, o hospedeiro, o rei, o senhor, o poder, a nação, o Estado, o pai etc. Estes lhe impõem a tradução e sua própria língua, e esta é a primeira violência”, afirma o filósofo em Anne Dufourmantelle convida Jacques Derrida a falar sobre hospitalidade (2003).

A ideia de que as traduções são o campo para muitas modificações de sentido, do filósofo alemão Walter Benjamin (1882-1940), também norteia o trabalho, que cria uma tensão entre a paisagem paradisíaca descrita por Vespúcio e a vida de seus personagens. Para Benjamin, o tradutor, assim como o estrangeiro, vive entre duas fronteiras de pertencimento. Nesse sentido, o texto passa a ser um lugar de convivência entre as diferenças.

processo
Para fazer As pérolas, como te escrevi, a artista promoveu encontros semanais com seus personagens para pesquisar suas impressões sobre o Brasil.

A partir das conversas sobre as experiências dos imigrantes, buscou construir leituras que permitissem a cada um impregnar o texto com suas vivências e interpretações.

pesquisa
Para Regina Parra, duas realidades inerentes à condição do imigrante tornam o tema de seu trabalho pertinente. A primeira é a estranheza de viver numa cultura diversa e desconhecida; a segunda, a intolerância com a qual algumas culturas respondem à presença do imigrante.
+++ Na carta Mundus Novus, Américo Vespúcio teria escrito sobre o Brasil: “E se no mundo existe algum paraíso terrestre, sem dúvida não deve estar muito longe destes lugares”. Leia aqui o artigo que analisa a carta.