Tomorrow everything will be alright
2010 | vídeo, 12’

Uma história de amor, perda e saudade se desenrola através de uma intensa troca de ideias durante uma noite. Um uso inquietante da tecnologia de comunicação, gravação e escrita faz com que o foco do trabalho oscile entre um sonho, um roteiro audiovisual e um amor almejado. O trabalho é uma espécie de homenagem de Akram Zaatari ao cineasta francês Éric Rohmer e à atenção que ele deu aos detalhes do cotidiano humano.

Akram Zaatari
Líbano, 1966
grande prêmio

Graduado em arquitetura pela American University of Beirut, Líbano, e mestre em media studies pela New School for Social Research, em Nova York, EUA, explorou as possibilidades documentais do vídeo antes de fazer dele seu meio de expressão. Aprofundou sua pesquisa em fotografia e colecionismo como prática artística na Arab Image Foundation, Beirute, da qual é cofundador. Expôs em instituições como Centre Georges Pompidou (Paris, França), Grey Art Gallery (Nova York, EUA), Kunstverein München (Munique, Alemanha) e MUSAC (León, Espanha), na Trienal de Turim (Itália), e nas bienais de Veneza (Itália), Sydney (Austrália) e São Paulo.

“Este filme é uma história de amor que se desdobra, com seus momentos amargos e alegres; é também um tributo ao cinema e à escrita, e uma celebração da solidão e do sonho. De outra perspectiva, é uma composição para uma máquina de escrever. O que se vê é um close de uma máquina de escrever. O que se ouve é seu som. Não há atores. A máquina de escrever, que marcou a metade do século 20, é o elenco principal do filme.”

“Você se lembra de entrar em qualquer escritório nos anos 1970 e 80? O que mais se ouvia era o som das máquinas de escrever. Diferentemente dos computadores de hoje, as máquinas não estavam conectadas. Hoje, o que escrevemos pode aparecer na tela de outra pessoa. As máquinas de escrever se transformaram numa mutação do telefone, da máquina de escrever e da câmera, para que a gente possa conversar, se quiser. Uma mudança enorme aconteceu na comunicação, e não é fácil imaginar como seria se a gente fosse privado disso de novo.”

“A história de Tomorrow Everything… poderia ter sido apresentada como se estivesse acontecendo em uma tela de computador, mas isso teria reduzido sua recepção ao plano da narrativa. Como ela acontece numa máquina de escrever, o súbito deslocamento da narrativa – tanto no tempo quanto em relação ao que seria lógico – sobrepõe-se à própria narrativa. O deslocamento é um elemento importante do meu trabalho. Então, esse não é um mero truque para tornar a história atraente. É um elemento que cria distância.”

“A máquina de escrever que uso no filme aparece em muitos de meus trabalhos fotográficos. É a máquina que meu pai me deu quando fiz dezesseis anos. Usá-la no filme é usar um dispositivo que pertence ao começo dos anos 1980, com uma lógica que pertence à era da internet. Isso produz algo fora do real, como a presença fantasmagórica de atores ausentes. Os vestígios de sua conversa são registrados numa caixa de diálogo que sobe conforme algo mais é dito. É a lógica de um chat on-line, mas é também a forma como se escreve um roteiro. Transformar uma situação em um diálogo roteirizado pode ser visto como despir o cinema dos atores, da encenação, mas também é trazer o cinema de volta a sua origem: o roteiro.”