TODAS AS VOZES
2011 | Colagem e óleo sobre madeira, 180 x 230 cm

Nesta investigação sobre a visualidade da metrópole, a mescla de pintura e colagem dá margem a um diálogo crítico entre questões urbanísticas e temas relativos à história da arte. Registros fotográficos efêmeros e citações visuais de pinturas históricas criam paisagens nas quais o caos perspectivo e a violência visual são metáfora da realidade nas grandes cidades. A colagem reorganiza elementos e aproxima lugares distantes, gerando uma polifonia que alude às esferas políticas, sociais e culturais.

carolina caliento
brasil sp, 1982
1º PRÊMiO ATELiÊ ABERTO ViDEOBRASiL

Graduada em artes plásticas pela USP (2007). Integrou a equipe de trabalho do Seminário Formação e Desmanche de um Sistema Visual Brasileiro Moderno, organizado por Luiz Renato Martins para o Programa de Pós‑Graduação em Artes Visuais, Escola de Comunicações e Artes, e CENEDIC, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP / Pinacoteca do Estado de São Paulo (2007). Participou da residência Rapaces, realizada pelo Instituto Espira La Espora, Nicarágua (2009), e da residência Laboratório Hotel, realizada pelo Grupo Hóspede / Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo (2007).

“Meu trabalho tem muitos fragmentos, que se unem e criam tensões entre si. Nossa experiência também é fragmentada. A forma como as coisas circulam e a velocidade com a qual a gente entra em contato com as informações diluem muito a experiência e aumentam essa fragmentação. Uma sequência de coisas distintas passa diante dos nossos olhos, e a gente acaba absorvendo como conjunto: cenas do mundo, da vida, que vão da novela mais absurda à guerra, à propaganda.”

“Tenho vontade de trabalhar coisas que dizem respeito a mais gente do que somente a mim. Isso tem a ver com o contexto social. Parto de algo que, acho, é comum a todos. São imagens de mídia impressa, de grande circulação. Eu as retiro do jornal e as levo para agirem no meu trabalho. Mas estou levando em conta que o jornal também é descartável, reproduzido aos milhares e visto por milhares de pessoas. São imagens que vêm, passam, são lidas e deixadas de lado, porque essa é a velocidade da vida contemporânea. Fazer esse arquivo é um pouco dialogar com isso. Tirar essas imagens do jornal e recombiná-las é uma maneira de entender como eu transformo essa confusão de absorção de imagens.”

“Eu me aproprio de referências. Meus arquivos não têm nenhum tipo de catalogação; eu recorto e coloco tudo junto, depois vou selecionando. É quase como um desenho. Componho a imagem encaixando com outras.”

“Do mesmo jeito que trato o jornal, passei a tratar a referência da pintura. Nas pinturas realizadas na Casa, usei a pintura de um artista inglês do século 18, Philip James de Loutherbourg. Usei a estrutura da composição dele para sobrepor minhas imagens. Acho que isso fez muito sentido; eu tinha que ir na fonte.”

Excerto de entrevista concedida à crítica de arte e pesquisadora Galciani Neves durante residência na Casa Tomada, 2011