ROUND AND ROUND AND CONSUMED BY FiRE
2009 | Vídeo, 9’12”

A obra se inspira em cena de Butch Cassidy and the Sundance Kid (em português, Dois homens e um destino), reproduzindo em uma única lenta tomada panorâmica o momento em que os bandidos americanos são encurralados pela polícia boliviana. A cena quase inerte cria um efeito de ansiedade, ressalta os vazios da narrativa e reinventa sua dinâmica. Como em trabalhos anteriores, Joskowicz lida com elementos básicos da linguagem cinematográfica clássica.

CLAUDiA jOSKOWiCZ
bolívia – EUA, 1968
PRÊMiO DE RESiDÊNCiA ARTíSTiCA SACATAR
iTAPARiCA, BRASiL

Mestre em artes visuais pela New York University, EUA. Participou das bienais de São Paulo, Havana (Cuba) e e Sharjah (Emirados Árabes Unidos), e de coletivas e individuais em espaços como Thierry Goldberg Projects (Nova York), Museo Nacional de Arte (La Paz, Bolívia), Galería Kiosko (Santa Cruz de la Sierra, Bolívia), Momenta Art Gallery (Nova York) e McDonough Museum of Art (Ohio, EUA), entre outros. Recebeu as bolsas Guggenheim Fellowship (2011), Fulbright (2009) e Vermont Studio Center (2008), entre outras. É professora do Steinhardt Art Department, da New York University.

“Esse trabalho não é uma resposta ao filme Butch Cassidy. Ele usa o filme como ponto de partida para tratar de outras questões que me mobilizam. É uma espécie de readymade que funciona como uma mediação entre o evento factual real e nosso conhecimento dele como momento da cultura popular. O título é, na verdade, uma referência a outro filme, o filme situacionista In girum imus nocte et consumimur igni: a Film, cujo título foi traduzido do latim como We Go Round and Round in the Night and Are Consumed by Fire. Na verdade, meu ponto de interesse maior, aqui, são os filmes e o cinema.”

“Centrados em mudanças sutis de sentido e sensibilidade, todos os meus vídeos tentam criar rupturas em relação à experiência normal de assistir a filmes ou TV, e fazem isso alterando tanto elementos espaciais quanto narrativos. Focando nos lapsos de narrativa que se criam quando os eventos são retirados de seus contextos originais e mediados pela tecnologia, o olhar do espectador é direcionado dos eventos apresentados na tela para o movimento físico da câmera pelo espaço, e para o movimento, em um sentido mais abstrato, em um espaço cinemático imaginário. Num sentido maior, meus trabalhos tratam de como a tecnologia media e redefine conceitos como verdade, história, memória e realidade.”

“Não há ironia em meu trabalho. Uso obras existentes, e que são conhecidas de nossa consciência coletiva – sejam fotografias de imprensa (Vallegrande, 1967), filme (Round and Round, 2009), diorama (Drawn and Quartered, 2007) ou livro de fotografia (Every Building, 2011) –, como elementos fundadores, que servem de plataforma de lançamento para o que o trabalho quer se tornar. Sim, há preocupações políticas no trabalho, assim como há preocupações formais. Mas me parece uma leitura muito ligeira dizer que o trabalho é uma crítica da globalização, Terceiro Mundo contra Primeiro Mundo etc. Essas questões estão lá, mas espero que o espectador possa mergulhar um pouco mais fundo.”