PiLGRiMAGE
2010 | Vídeo, 14’13’’

Um retrato do percurso do minério de ferro, da exploração ao transporte, culminando com sua chegada ao mar. Com um olhar que reinventa o estatuto do acontecimento, a obra analisa a relação entre natureza e cultura, e desloca a relação espectador‑obra‑indústria.

EDER SANTOS
brasil MG, 1960
MENÇÃO HONROSA

Autor de uma densa obra em vídeo e instalação, Santos é graduado em belas‑artes e comunicação visual pela UFMG. Dirigiu o longa Enredando as pessoas, premiado em festivais de cinema em Havana, Cuba, e na Suíça em 2006. Mostrou obras nas individuais Suspensão e Fluidez, na ARCO de Madri (Espanha, 2009), e Roteiro Amarrado, no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2010). Seus vídeos integram acervos de instituições como o MoMA, Nova York, EUA, e o Centre Georges Pompidou, Paris, França.

“O que me atraiu no processo da mineração foi exatamente o fato de poder transportar uma realidade quase documental para um mundo de ficção. O final de Pilgrimage transforma esse processo em um laboratório de efeitos. Os vagões são vistos, através da edição, como elementos construídos eletronicamente. São como casulos que resultam da explosão e do cruzamento de dois animais – o trator e o caminhão. Então, foi quase como transformar o processo em um conceito.”

“Quem nasce em Minas Gerais, principalmente na região de Belo Horizonte, o quadrilátero ferrífero, tem esses elementos como parte do seu dia a dia. A poeira vermelha. O som da montanha que explode (quando estive no Líbano, ouvi um bombardeio, achei que poderia ser uma mineração, mas era a guerra). Os trens que te fazem esperar até trinta minutos para cruzar uma rua. Este é o nosso universo. Esta é nossa procissão de imagens, este é o nosso tempo. Aqui, ou estamos na igreja, ou na mina. Portanto, acho que esses dois elementos sempre estiveram presentes no meu trabalho.”

“Também no Videobrasil, em 2001, fizemos a performance Concerto para pirâmide, orquestra e sacrifício, que tratava do enterro da montanha, da transformação das montanhas em pirâmides degradadas. Esse caminho que nossa montanha percorre é o que mostro em Pilgrimage. A morte da montanha na transformação política de nossa vida.”