AS AVENTURAS DE PAULO BRUSCKY
2010 | Vídeo, 19’58”

A obra encena o encontro virtual entre Mascaro e o artista recifense Paulo Bruscky na plataforma de relacionamento Second Life. Em um tom que simula o documental, discute os limites entre as linguagens artísticas e entre as dimensões em jogo na situação virtual, suscitando questões sobre o estatuto das manifestações culturais, a distância entre desejo e realização, e as possibilidades do espaço digital e sua relação com a ação real.

GABRiEL MASCARO
brasil pe, 1983
PRÊMiO DE RESiDÊNCiA ARTíSTiCA – ViDEOFORMES
CLERMONT-FERRAND, FRANÇA

Cineasta, artista visual e arte‑educador, formou‑se em comunicação social na Universidade Federal de Pernambuco. Seu primeiro longa, KFZ‑1348, recebeu prêmio especial do júri na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (2009). Mostrou filmes em festivais de Munique (Alemanha), Buenos Aires (Argentina), Santiago (Chile), Los Angeles (EUA), Nyon (Suíça), Havana (Cuba), Cartagena (Colômbia), Miami (EUA) e Copenhague (Dinamarca), entre outros. Seu terceiro longa, Avenida Brasília Formosa, esteve na seleção oficial do Festival de Roterdã 2011.

“Eu já havia trabalhado com o artista Paulo Bruscky na videoarte O meu cérebro desenha assim – 2, e isso nos motivou a fazer algo juntos novamente. A ideia era ir além de um simples registro documental sobre ele, para criar uma experiência visual de confronto com o suporte virtual do Second Life e o próprio universo artístico de Bruscky. Então, numa manhã ensolarada, enquanto eu relaxava numa praia no Second Life, o destino me traz o artista Paulo Bruscky à procura de um registro qualquer para suas primeiras experiências na rede social.”

“O que mais me encanta na obra de Paulo Bruscky é a pesquisa que ele chama de ‘projetos inviáveis’. Um desses projetos era colorir o céu, com ajuda de químicos e físicos. Ele publicou no jornal e nunca apareceu um cientista disposto a executar o plano. Ao cruzar os projetos do artista com o Second Life – e fazer a mudança da cor do céu com apenas um clique –, pudemos dar potencialidade à obra de Bruscky pelo próprio contraste de existir no plano da imaginação; pela possibilidade de materializar algo no plano das ideias e abstrações.”

“Já filmei casamentos e festas de aniversário. Sempre pesquisei os mecanismos políticos da negociação da imagem, especialmente neste caso, quando o cinegrafista profissional é pago para desempenhar tal função. Existe uma dubiedade nesses registros ‘despretensiosos’ que me fascina. Para mim, sua mistura de olhar cínico e, ao mesmo tempo, afetuoso, é muito potente.”

“O meu avatar no filme é inspirado em vários profissionais que trabalham fazendo registros para fins pessoais no Second Life; são os machinima, vídeos concebidos em plataformas virtuais. Os avatares fazem festas, casam-se, separam-se, adotam filhos, celebram confraternizações de fim de ano. Assim, cria-se uma grande demanda por vídeos ‘profissionais’ que registrem momentos importantes dessas vidas virtuais. A trajetória de Paulo Bruscky me trazia vários elementos para pensar um projeto que nos colocasse nesse confuso jogo.”