iNiMiGO iNViSíVEL
2011 | Vídeo, 15’52”

Nessa espécie de plano‑sequência, uma situação de tensão contínua se desenrola sem conclusão, como a promessa nunca cumprida de uma conquista: um soldado, em local não identificado, persegue um inimigo que não se apresenta. O vídeo critica a ética belicista e questiona de forma contundente o poder político e socialmente transformador da arte.

GUiLHERME PETERS
brasil sp, 1987
1º PRÊMiO ATELiÊ ABERTO ViDEOBRASiL

Formado em artes plásticas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), participou de coletivas recentes em São Paulo tais como Prêmio EDP nas Artes (Instituto Tomie Ohtake); Verbo 2010 e VÃO (Galeria Vermelho) e Experiência Hélio Oiticica (Itaú Cultural). Tem trabalhos incluídos em publicações como Caderno SESC_Videobrasil 06 (Edições SESC SP, 2010).

“Eu me questiono o tempo todo se ainda é possível construir algo que transforme o mundo e as pessoas. Às vezes acho que me acomodar nessa impossibilidade é uma situação conformista. Virou regra não pensar no que poderia ser. Não se sabe mais como tomar uma atitude política. Será que o mercado de arte está esperando isso de um trabalho? Ou será que o mercado espera um trabalho político porque isso vende?”

“Esse trabalho vem de discussões, de coisas que compartilho com meus amigos. Às vezes, até de maneira nostálgica, eles pensam que uma verdadeira mudança só faria sentido se fosse violenta. Eu não concordo. A gente nem tem uma possibilidade de confronto, porque não sabe ao certo com o que se confrontar. Parece que tudo virou virtual: o capital, as relações. Como uma guerra é traçada? Quem a define? Tudo ficou muito difuso. Não se veste mais uma ideologia. A gente vive um fracasso da noção de nação. Antes de ser um país, uma cultura, onde as pessoas se reúnem em torno de uma língua, o Brasil é uma empresa, uma economia.”

“Primeiro pensei num plano‑sequência, com uma estética de videogame. O observador vê o personagem na sua frente, mas, ao mesmo tempo, o segue, como se o controlasse. Depois pensei numa câmera mais ‘fantasmagórica’, que desconstrói o espaço, que se perde. Tentei construir um espaço ainda mais labiríntico, imersivo. Não queria câmera no tripé, um enquadramento distante para um espectador de teatro. Queria criar aflição, colocar o espectador na ação. A câmera traz os movimentos, propondo olhares, mergulhos, hipnotizando e configurando um ambiente virtual, de uma guerra que não é guerra, que não é confronto, que não tem embate físico. É tudo imaterial, virtual.”

“Pensei na construção de uma imagem que trouxesse a dimensão de um lugar que nunca pode ser alcançado, na construção de uma natureza impossível de ser trazida para o real, num ambiente inatingível. Queria construir uma promessa que nunca fosse cumprida. Acho que esse vídeo se liga à impossibilidade de elaborar um filme de guerra, que é também uma guerra que nunca vai acontecer.”

Excerto de entrevista concedida à crítica de arte e pesquisadora Galciani Neves durante residência na Casa Tomada, 2011