UNFORGeTTABLE MEMORy
2009 | Vídeo, 10’17”

O artista tenta resgatar a memória de 1989, quando os chineses foram às ruas para protestar contra o governo de Deng Xiaoping. Ao sair pelas ruas de Pequim em busca de testemunhos, leva uma câmera e uma foto dos protestos, durante os quais ele mesmo quase morreu. Em linguagem direta, a obra questiona o poder da memória ante a indiferença.

Liu Wei
china, 1965
PRÊMiO DE RESiDÊNCiA ARTíSTiCA KiOSKO
SANTA CRUZ DE LA SiERRA, BOLíViA

Estudou na China Central Academy of Drama, Pequim, China, e graduou‑se em filosofia pela Universidade de Pequim. Em sua prática artística, usa uma variedade de meios para tratar de memória e relacionar sua experiência às realidades de uma China em transformação. Participou da 8ª Gwangju Biennale (Coreia do Sul, 2010), da 9ª Bienal de Charjah (Emirados Árabes Unidos, 2009), da WRO 2009 Media Art Biennale (Polônia), da Bienal de Taipé, Taiwan (2008), do International Film Festival Rotterdam (Holanda, 2010), e do Cinema du Réel (Centre Georges Pompidou, Paris, França, 2006).

“Esta é uma lembrança do meu segundo ano de faculdade, 1989, o ano em que quase fui morto. Não me sinto afortunado por ter sobrevivido, mas guardei uma grande tristeza por não ter sido capaz de fazer nada diante da morte. Vinte anos se passaram. O cabelo da minha mãe ficou branco; pessoas amadas secaram suas lágrimas. Gloriosa, como que para sempre, nessa primeira rua da China o silêncio prevalece. Silêncio, esquecimento e acobertamento deliberado, e eis que a memória das pessoas se transforma num vácuo.”

“Quando os anos passados se distorcem em um quadro nebuloso e a memória verdadeira é perdida, só a ilusão permanece. Conforme o tempo passa, aquela lembrança vai nos deixando cada vez mais desamparados. Continuar calados, ante a realidade, só atesta nossa hipocrisia e nossa fraqueza.”

“Os vivos ainda vivem. O sol sempre nasce na manhã seguinte, e as quatro estações seguem se alternando. Inocentes morreram de um lado do mundo, e os culpados estão à solta do outro lado. Essa é a realidade que, através da história, nunca mudou.”