EXPLORiNG
2010 | Vídeo, 5’07”

A obra retoma a correspondência trocada entre a artista e seu pai quando este trabalhava em um navio cargueiro, percorrendo o mundo. Quando o pai lê o que ele próprio escreveu, ou a artista comenta as mensagens a partir de uma perspectiva adulta, outras dimensões se articulam: espaço geográfico e subjetivo, memória objetiva e afetiva. Imagens dos cartões‑postais enviados junto ajudam a traçar essa inconclusa cartografia afetiva.

MORAN SHAViT
israel – alemanha, 1982
PRÊMiO DE RESiDÊNCiA ARTíSTiCA FAAP
SÃO PAULO, BRASiL

Graduada em fotografia pela Wizo Haifa Academy of Design and Education, em Israel, é mestranda no programa internacional Arte em Espaços Públicos e Novas Estratégias Artísticas, na Bauhaus University, Weimar, Alemanha. Expõe há cinco anos em seu país. Utilizando sobretudo fotografia e vídeo, seu trabalho aborda as relações entre tempo e espaço.

“Viagem, ausência, deslocamento: a maioria dos meus trabalhos, no fundo, contém pelo menos um desses elementos, que são parte da minha história pessoal. Para mim, a arte vem de um lugar pessoal. Exploro temas que me ocupam como pessoa; procuro promover um processo que me leve até um ponto em que já não sejam mais apenas algo pessoal, mas que também sirvam à exploração de ideias filosóficas e conceituais.”

“Quando criança, as visões randômicas e pouco familiares dos cartões-postais me davam a ideia, antes de tudo, de que o mundo é grande e diverso, e de que há muito para ver. Além disso, elas me permitiam colocar meu pai em um lugar compreensível; de outra forma, na cabeça de uma criança, ele simplesmente teria partido, por um período de tempo, para algum lugar no vácuo.”

“A forma como esses cartões-postais são explorados no vídeo assemelha-se a observar um objeto através de uma lupa. Há algo de especial nessa ação de se aproximar da imagem, fechar o foco em seus pequenos detalhes. Isso cria tal intimidade com a imagem e com o que está capturado nela, que é quase como se você pudesse se reconectar com o momento em que foto foi feita.”

“A questão do tempo nesse trabalho é que há um constante movimento entre passado e presente. Uma lembrança, por exemplo, é uma referência a algo que aconteceu no passado e, ao mesmo tempo, acontece no presente; está sendo contada a partir da perspectiva do presente. Tenho interesse nessa tensão, no lugar entre essas duas extremidades. O que é mais válido (para compreender a realidade): o passado ou o presente?”