(íNDiCE 1, CONTiGUiDADE NÃO iMEDiATA)
2011 | Acrílica, carvão, lápis, caneta, fita-crepe e papel vegetal sobre tela, tríptico, 200 x 465 cm

O trabalho integra pesquisa sobre a cidade e a relação inusitada que ela promove entre imagens prosaicas e referenciais da história da arte. A tela é pensada como espaço de inserção contínua e de registro de processos de criação e convívio. Em diálogo com manifestações que despem desenho e pintura de seu caráter artístico – pichações, inscrições em banheiros públicos –, o artista convidou amigos e artistas para colaborar na obra, inserindo nela “ruídos”.

PAULO NiMER PJOTA
brasil sp, 1988
1º Prêmio Ateliê Aberto Videobrasil

Bacharel em artes visuais pelo Centro Universitário Belas‑Artes de São Paulo. Começou a participar de exposições, algumas delas no Brasil e outras em Londres, Suíça e EUA, em 2007 e, no mesmo ano, recebeu a premiação máxima no Salão de Artes de São José do Rio Preto e no Salão de Artes de Piracicaba.

Em 2009 realizou sua primeira exposição individual fora do Brasil, na galeria Anno Domini, em San José, Califórnia, EUA.

“Comecei minha relação com a pintura na cidade e caminho muito por aí. Pichava e fazia grafite com doze anos. Isso me deu a oportunidade de entender que o que me interessava não era o grafite nem a pichação, mas a cidade em si, o que a cidade discutia de pintura, o que a cidade discutia de desenho, de colagem, de assemblage.”

“Penso na forma como se dá a pintura da cidade, que são essas manchas, esses rabiscos de banheiro ou de ponto de ônibus, essas cores que às vezes se apagam. Também me refiro a elementos de construção. A ideia principal é juntar elementos que aparentemente não têm nada a ver, que remetam a construção: uma arma, que constrói e desconstrói; um trator. Parecem não estar em relação, mas podem apresentar um ponto de junção.”

“Tento dar ao trabalho esse caráter de aceitar novos elementos, aceitar anotações, aceitar campos de agregação de elementos que conversam mais, que conversam menos, usando tinta, lápis, caneta, spray, tudo isso. Essa diversidade vem um pouco das minhas referências na cidade, que é a partir de onde eu consigo entender um pouco como essa composição é possível.

“Não me encaixo nessa produção de pintura que aborda apenas uma temática na tela. O que me interessa não é discutir apenas um assunto. Essa é a maneira como eu componho uma obra – bidimensional, no caso: discutindo vários assuntos que me inquietam, tanto de arte quanto de vida, de momentos políticos, por exemplo.”

“Há algumas coisas que me interessam: as armas, que falam de uma certa violência, os desenhos que parecem desenhos de cadeia, essa sobreposição de assuntos que não parecem da arte. Não sei se as pessoas entendem, mas busco na construção dessas imagens uma associação conceitual e visual que proponha direcionamentos.”

Excerto de entrevista concedida à crítica de arte e pesquisadora Galciani Neves durante residência na Casa Tomada, 2011