oracle
2009 | dois canais

A videoinstalação alterna imagens aparentemente aleatórias e sem relação, que compõem um mosaico em construção. O título alude à tradição do oráculo grego como fonte de sabedoria e profecia, capaz de oferecer respostas e visões do futuro, ainda que enigmáticas, por meio da combinação de elementos presentes. Em Oracle, o vaticínio é a própria capacidade do espectador de atribuir sentido a uma teia complexa de símbolos.

SEBASTiaN DiAZ MORALES
argentina – holanda, 1975
MENÇÃO HONROSA

Com uma obra que explora as possibilidades do vídeo a partir de uma perspectiva situada entre o documentário e a reinterpretação da realidade, Morales expõe sua produção há cerca de uma década. Apresentou mostras individuais na École de Beaux Arts (Rouen, França, 2008), Carlier Gebauer (Berlim, Alemanha, 2007), Fundación Miró (Barcelona, Espanha, 2006), galeria Attitudes (Genebra, Suíça, 2005), Le Plateau (Paris, França, 2005), Kunst Werke (Berlim, 2004) e Tate Modern, (Londres, Inglaterra, 2004), entre outras. Foi contemplado com residência pelo Guggenheim Fellowship (Nova York, EUA, 2009), Le Fresnoy Studio des Arts Contemporains (Tourcoing, França, 2004) e Mondriaan Foundation (Amsterdã, Holanda, 2001).

“Há já algum tempo eu vinha dando voltas em torno da ideia de fazer algo com meus registros de vários anos. Esse material é uma espécie de memória, tanto pessoal como do meu entorno, dos anos 1990 até agora. Sempre quis fazer um filme com isso. Usar imagens ilhadas umas das outras no tempo e no espaço, condensando-as em um mesmo ponto. Trabalhar com a ideia de que todos esses tempos e espaços sincronizam-se em um mesmo momento e lugar.”

“Queria falar tanto do presente como do futuro, e Oracle simplificou minha vida. O vídeo faz uma síntese das imagens que acredito serem as mais simples e simbólicas entre as muitas que registrei, com câmeras diversas, em diferentes países da América do Sul, América Central, Europa, Ásia e África do Sul. São imagens que retratam um momento, um presente convulsivo e imprescindível.”

“A obra funciona como uma instalação, com duas telas em ângulo. Em frente a elas, um banco. As imagens se repetem nas telas; às vezes adquirem formas, às vezes estendem uma paisagem ou um movimento. A simplicidade das imagens se potencializa não apenas por seu conteúdo simbólico, mas também pela dualidade.”

“Acho que meu trabalho, em geral, reflete necessidades do lugar onde é produzido. Encontro fendas pelas quais posso criar pontes, pela ficção, o simbolismo ou a mera representação. Os choques, as contradições e as relações são mais fortes em locais onde as sociedades e a natureza continuam sua busca. Não me interessa a imagem de uma paisagem de bosque prístino, do ecossistema em equilíbrio. Interessa-me a imagem do deserto, do choque das forças da natureza. O mesmo com as sociedades ou paisagens urbanas. A corda arrebenta do lado mais fraco; é desse lado que gosto de estar. Isso cria sempre mais emoção, mais narrativa, mais sentido, mais absurdo.”

“As fendas são menos radicais na Europa, mais formais e, ainda que presentes, menos visíveis. Essa neutralidade faz com que a realidade pareça menos real. Lamentavelmente a neutralidade na forma e nos rituais diários se transformou em denominador comum para a maioria dos países europeus. Há uma pobreza nessa realidade da qual o meu trabalho não pode se alimentar.”

Excerto de entrevista concedida ao curador Marcio Harum para a publicação on-line FF>>Dossier, 2011.
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